quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Projeto de pesquisa de doutorado ao PPGE-UFF 2024

 

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

FACULDADE DE EDUCAÇÃO

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO

DOUTORADO EM EDUCAÇÃO

LINHA DE PESQUISA: TRABALHO-EDUCAÇÃO (TE)

 

 

 

 

 

REMAPEAR A CRISE, RECENTRALIZAR A EDUCAÇÃO PÚBLICA: A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NA LUTA DE CLASSES SOBRE A FORMAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA BRASILEIRA – ESTUDO DE CASO EM NITERÓI/RJ

 

 

 

 

 

 

DIOGO HENRIQUE ARAUJO DE OLIVEIRA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Niterói, junho de 2024

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

FACULDADE DE EDUCAÇÃO

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO

DOUTORADO EM EDUCAÇÃO

LINHA DE PESQUISA: TRABALHO-EDUCAÇÃO (TE)

 

 

 

 

 

REMAPEAR A CRISE, RECENTRALIZAR A EDUCAÇÃO PÚBLICA: A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NA LUTA DE CLASSES SOBRE A FORMAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA BRASILEIRA – ESTUDO DE CASO EM NITERÓI/RJ

 

 

 

 

 

 

DIOGO HENRIQUE ARAUJO DE OLIVEIRA

 

 

 

 

Projeto de pesquisa apresentado ao Programa de Pós-graduação em Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense, como um dos requisitos de seleção para o Curso de Doutorado – 2024.

 

Linha de pesquisa:

Trabalho-Educação (TE).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Niterói, junho de 2024

Projeto de doutorado: Remapear a crise, recentralizar a educação pública – A Educação de Jovens e Adultos na luta de classes sobre a formação da classe trabalhadora brasileira – Estudo de caso em Niterói/RJ.

 

Linha de pesquisa: Trabalho-Educação (TE)

 

Introdução

 

               A crise educacional do Brasil da qual tanto se fala, não é uma crise, é um programa. Um programa em curso, cujos frutos, amanhã, falarão por si mesmos” (RIBEIRO, 1986a, p.20). Com esta famosa síntese, Darcy Ribeiro, denunciava a degradação e crise educação brasileira no contexto da ditadura empresarial-militar, em convergência com outras crises, estruturais, que marcavam o Brasil até então: analfabetismo massivo, falta de vagas para milhares de crianças e jovens nas redes públicas de educação, precariedade, queda da qualidade da escola pública pari passu à miséria, à fome, às desigualdades sociais, ao racismo, à colonialidade do poder e do saber, à dependência econômica e tecnológica do país no sistema imperialista mundial.

               Da queda da ditadura empresarial-militar, quando Darcy Ribeiro produziu sua denúncia e conclamou por uma “revolução educacional” (RIBEIRO, 1986b), o Brasil viveu uma sucessão de lutas sociais, mudanças socioeconômicas e de situações políticas significativas e contraditórias, intensas disputas sobre projetos de educação e país. Entretanto, quase 50 anos depois da denúncia de Darcy Ribeiro, verificamos uma aguda convergência de crises no capitalismo global e brasileiro: crise ambiental/climática; crise do mundo do trabalho; crise socioreprodutiva; crise econômica e social; onda conservadora, ascensão da extrema-direita e crise da democracia.

               A educação pública vem sendo fortemente impactada nesta convergência de crises: precarização do trabalho educativo, contrarreformas empresariais pedagógico-curriculares, mecanismos de privatização, guerra cultural etc. No estado do Rio de Janeiro (RJ), a situação é dramática: ruína salarial e péssimas condições de trabalho dos educadores, crescimento da pobreza e diversas desestruturações psicossociais sobre as comunidades escolares, crescimento de diversas violências, dentre outras mazelas. Nos diversos municípios do estado, como em Niterói, esta realidade também se reproduz, ainda que com particularidades. No contexto de aparente caos na educação pública, entretanto, existe um conjunto de projetos tocados como parte estruturante da ordem social capitalista em que vivemos, desigual, hierarquizada e opressora.

            Perante a complexa realidade resumidamente exposta até aqui, o presente projeto levanta as seguintes questões: como as crises do capitalismo global e brasileiro se correlacionam com a (crise da) educação pública? Como, a partir destas correlações, se estruturam projetos da classe dominante em disputa sobre a educação, visando superar a crise capitalista e conformar projetos hegemônicos de formação e dominação sobre a classe trabalhadora? Como as crises e os projetos educacionais burgueses se particularizam na Educação de Jovens e Adultos (EJA)? Quais lutas e resistências da classe trabalhadora são necessárias neste contexto? Quais projetos alternativos dos movimentos sociais para a crise capitalista, educação e formação humana, podem emergir das lutas e resistências? Como tais projetos se particularizam na e para a EJA?

Partindo do primado da luta de classes, da compreensão de que a história é um campo de batalhas e possibilidades, nos inspirando em Tithi Bhattacharya (BHATTACHARYA, 2023), a questão central deste projeto é remapear a crise do capitalismo, recentralizando a educação pública na luta de classes no Brasil, focando, em particular, no lugar da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Os projetos sobre a escola pública e a EJA, visando a formação da classe trabalhadora, são politicamente estratégicos para as frações burguesas na luta de classes, buscando enfrentar e propor superações das crises. Há que se resgatar tal centralidade estratégica sobre educação, EJA e formação humana nas lutas da classe trabalhadora. E considerando os limites de tempo inerentes a um projeto de doutorado, planejamos empreender nosso esforço de investigação a partir de estudo de caso da EJA das redes públicas estadual e municipal em Niterói, estado do Rio de Janeiro. Cremos que tal foco geohistórico nos permitirá discutir diversas contradições e mediações da educação pública e da EJA no centro das crises socioreprodutiva, do mundo do trabalho e da democracia.

Em pleno século 21, o Brasil persiste com elevada taxa de analfabetismo total: 11,4 milhões pessoas com mais de 15 anos de idade, 7% da população nacional (IBGE, 2022). O racismo estrutural aqui também se expressa: a taxa de pessoas maiores de 15 anos analfabetas é de 10,1% entre negros/as, o dobro das pessoas brancas (4,3%). A desigualdade educacional é dramática: 57,7 milhões de pessoas com mais de 18 anos, em meio urbano, não concluíram a educação básica (MEC, 2024, p.2). E a cidade de Niterói/RJ, a despeito da construção da autoimagem, elitista e racista, como “cidade qualidade de vida” (MARIANI et al, 2019; CARVALHO, 2005), também carrega sua desigualdade socioeducacional:  persistência de 1,77% da população maior que 15 anos em analfabetismo, cerca de 8.527 pessoas, e 113.739 pessoas com mais de 18 anos sem concluírem a educação básica (DATAPEDIA, 2024). Vemos, com estes dados, e com as problemáticas enumeradas a seguir, que a luta sociopolítica pela Educação de Jovens e Adultos como direito social segue atual, no Brasil e em Niterói, no enfrentamento a uma “crise” que “não é uma crise, é programa”:

 

1.     Niterói tem uma Rede Municipal minúscula, nove escolas (EDUCAÇÃO NITERÓI, 2024), e uma Rede Estadual declinante (SEEDUC, 2024; SILVA, 2019) na EJA, perante milhares de jovens e adultos analfabetos e/ou excluídos do direito pleno à educação básica, e perante sérios problemas e contradições sociorreprodutivas e de reestruturação econômica que desafiam a cidade;

2.     Ao passo em que o Poder Público Municipal de Niterói vem desenvolvendo estruturas públicas de educação popular e/ou técnico-profissional voltadas para a população de jovens e adultos das classes populares, como Plataformas Urbanas Digitais (NITERÓI, 2024a), transformação de Centros Integrados de Educação Pública (CIEP’s) em “clubes-escolas” (NITERÓI, 2019), verifica-se, contraditoriamente, a estagnação na expansão das Bibliotecas Populares Municipais (EDUCAÇÃO DE NITERÓI, 2024b) e a degradação e fechamento de Telecentros (TÚLIO, 2024), além da fragmentação e descoordenação político-administrativa e pedagógica que marcam as referidas iniciativas, reiterando o infelizmente histórico de “não lugar” da EJA nas políticas públicas;

3.     Dados de crise socioreprodutiva impactando os territórios – crescimento de população em situação de rua (BRASIL DE FATO, 2024), drogadição (NEDER, 2023), violência doméstica (NITERÓI, 2023), fome (MANSUR, 2022);

4.     Uma estrutura econômico-produtiva incompleta e desigual/combinada: queda do peso econômico da indústria de transformação; baixo peso de setores econômicos de maior produtividade e/ou intensivos em ciência e tecnologia; alta terciarização da economia, envolvendo, de forma desigual/combinada, atividades administrativas, serviços complementares e comércio varejista, setores geradores de empregos precários e com baixos salários, e setores de serviços geradores de empregos mais qualificados e com média/alta remuneração (serviço público, medicina privada, administração de empresas etc.). À exceção dos serviços de média/alta remuneração, historicamente monopolizados pela classe média, a cidade vem se especializando na geração de empregos de baixa qualidade, estruturando uma ausência de perspectivas ascendentes à juventude pobre e de baixa expectativa de evolução sócio-ocupacional à população adulta pobre (OLIVEIRA et al, 2024);

5.     A problemática da estrutura econômico-produtiva vem sendo objeto de preocupação do próprio Governo de Niterói, no sentido de enfrentar e superar as contradições apontadas. Iniciativas como o “Plano da Cidade Inteligente, Humana e Sustentável”, o “Ecossistema Local de Inovação de Niterói – Aldeia Tech” (NITERÓI, 2024b) e o “Plano de Retomada da Economia” (NITERÓI, 2021), por exemplo, visando estimular a economia do mar, a economia criativa, a economia científico-tecnológica e economia de transição energética. A proposta de novo “Plano Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação” propõe uma “educação do futuro”, visando incluir “ciência, tecnologia e inovação no currículo em todos os níveis educacionais”, o “desenvolvimento sustentável, tecnologias verdes e sociais” e a “cidadania digital” (NITERÓI, 2024b). Entretanto, tais planos, ousados, ainda que polêmicos em diversos pontos, estão em contradição com o atraso, a desigualdade, o “não lugar” da Educação de Jovens e Adultos das redes públicas da cidade: poucas escolas EJA, fechamento de escolas EJA, evasão, contrarreforma curricular nas escolas estaduais (SEEDUC, 2022), consequência da “Reforma do Ensino Médio” etc. Ou o desenvolvimento econômico de alta complexidade de Niterói seguirá travado, ou será tocado reproduzindo históricas desigualdades sociais, de gênero e raça, assim como reproduzindo a dualidade estrutural da educação brasileira.

 

Enfim, com as questões e problemáticas discutidas até aqui, cremos ser pertinente nosso esforço de pesquisa. Vejamos, então, os objetivos, geral e específicos, do projeto.

 

Objetivos

 

            Objetivo geral: remapear a crise capitalista, recentralizando a educação pública, em particular a Educação de Jovens e Adultos (EJA), no centro das crises socioreprodutiva, do mundo do trabalho e da democracia na contemporaneidade, discutindo a situação e as disputas de projetos sobre a EJA na luta de classes sobre a formação da classe trabalhadora brasileira, a partir de estudo de caso das redes públicas estadual e municipal em Niterói, estado do Rio de Janeiro.

 

            Objetivos específicos:

 

1.     Discutir a correlação das crises socioreprodutiva, do mundo do trabalho e da democracia com a situação da educação pública e da EJA no capitalismo brasileiro contemporâneo e, particularmente, em Niterói/RJ;

2.     Mapear a estruturação e realidade atual da EJA nas redes estadual e municipal em Niterói/RJ: construção geohistórica, realidade socioterritorial do seu público, infraestrutura material, projetos pedagógicos, problemas e desafios;

3.     Discutir os impactos da “Reforma do Ensino Médio” da SEEDUC/RJ, assim como as potencialidades e desafios dos projetos econômico-educativos do Governo de Niterói e dos novos Referenciais Curriculares da Rede Municipal de Niterói, sobre a EJA das redes estadual e municipal de Niterói/RJ;

4.     Estudar as propostas, projetos e lutas dos movimentos sociais da classe trabalhadora em Niterói/RJ, em especial do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro – Núcleo de Niterói (SEPE-Niterói) para a EJA das redes estadual e municipal da cidade.

 

Revisão de literatura

 

            O presente projeto se inscreve no campo teórico do marxismo, buscando inspirações, em especial, nas vertentes do marxismo de León Trotsky (BIANCHI, 2007), do materialismo histórico-geográfico / Geografia Crítica e dos Movimentos Sociais (FRANÇA FILHO, 2012; PORTO-GONÇALVES, 2006; HARVEY, 2005) e do campo Trabalho-Educação (CIAVATTA, 2019).

            Compreendemos o marxismo como um campo teórico e de práxis, uma visão global de mundo que busca entender o mundo em que vivemos como uma totalidade maior, a sociedade burguesa de classes, da hegemonia capitalista, no sentido de sua crítica para intervenção transformadora, a partir da luta de classes (PENÃ, 2014). Na totalidade maior do capitalismo, inserem-se “totalidades menores” (NETTO, 2011), num sistema dinâmico e mutante de totalidades, contradições e mediações (CIAVATTA, 2001). Uma das mediações centrais deste sistema é o primado da política, da luta de classes e seus sujeitos sociopolíticos (TROTSKY, 2000; BIANCHI, 2000). A realidade/totalidade capitalista está em constante transformação, tensionada pela luta de classes protagonizada por diversos sujeitos/movimentos que dinamizam hegemonias e emancipações (ORNELAS, 2008; GRAMSCI, 2006). Da classe dominante, a burguesia, e suas frações, partem os projetos de exploração e dominação sobre as classes trabalhadoras/populares, conformando hegemonias. Dos subalternos, numa “guerra de posições”, partem processos de lutas contra-hegemônicas que, se sistematizadas, podem formar movimentos e espaços de emancipações (CECEÑA, 2005).

            O sistema educacional, em especial a escola pública está no centro da convergência de crises que aflige o capitalismo global e brasileira na atualidade. É assim porque a educação faz parte, intrinsicamente, do mundo do trabalho: é a principal instituição formadora básica da maioria da classe trabalhadora para o sistema do capital, além de mobilizar os trabalhadores da educação para concretizar suas finalidades (CIAVATTA, 2019). Mesmo, no Brasil, o sistema escolar público se estruturando na lógica da dualidade educacional. A dualidade estrutural é, justamente, a produtividade da escola para o sistema do capital, para os projetos hegemônicos da classe dominante brasileira (FRIGOTTO, 2018): uma escola para os dirigentes da sociedade, uma escola para os trabalhadores; fragmentação da escola dos trabalhadores em caminhos formativos para o trabalho manual e para o trabalho intelectual; a produção desigual-combinada do “fracasso” e do “sucesso” escolar, os “defeitos ou fracassos” da escola pública “são, em verdade, a realidade necessária de seu funcionamento” (CAMPELLO, 2009). Além disso, a escola pública é um fenômeno socioespacial: sua capitalização nos territórios da classe trabalhadora faz com que convirja para a escola uma multiplicidade de problemáticas socioeconômicas e políticas que afligem os trabalhadores; assim como localiza a escola, e seus sujeitos, em posição privilegiada para ações de transformação social, dinamizadas pela luta de classes, tanto em perspectivas hegemônicas quanto emancipatórias, num jogo de espaço e contraespaço (GIROTTO, 2018; MOREIRA, 2006). Para cada crise do capitalismo global e brasileiro contemporâneo, há rebatimentos na escola pública em geral, com particularidades sobre a Educação de Jovens e Adultos (EJA), assim como os tensionamentos da luta de classes no enfrentamento das crises reverberam projetos hegemônicos e emancipatórios sobre a escola / a EJA (VENTURA, 2008).

            A escola pública está no centro da crise ambiental/climática: das precarizações dos territórios onde se localizam a maioria das escolas das classes populares aos insustentáveis programas contrarreformista para lidar com a crise, como as ideologias da sustentabilidade, da economia verde, do empreendedorismo ambiental (FOSTER, 2020). Do adoecimento estrutural da classe trabalhadora, no insano ritmo superprodutivo da economia neoliberalizada, à “crise dos cuidados”, deflagrada por um sistema econômico-político incapaz de sacrificar seus lucros e interesses privatizantes para dar conta da reprodução social, a escola pública está no centro da crise socioreprodutiva que afeta seus estudantes, profissionais da educação e comunidades (BRAGA, 2023). Da precarização de condições à destruição de direitos – terceirização, uberização, desemprego estrutural (ANTUNES, 2020), a crise do mundo do trabalho interpela a escola pública com muita centralidade: da precarização das condições de trabalho e vida dos trabalhadores da educação às contrarreformas político-pedagógicas que intencionam “ajustar” a formação técnico-profissional e ideológico-comportamental da classe trabalhadora a este “novo mundo precário do trabalho”, a “Reforma do Ensino Médio” sendo uma grande expressão deste “ajuste” (CATINI, 2024). Por fim, a escola pública também está no centro da crise da democracia atual e a ascensão da extrema direita na ordem política global/brasileiro: da guerra cultural conservadora-obscurantista que persegue educadores e disputa planos públicos estratégicos de educação e os currículos (FRIGOTTO, 2017).

             Os rumos das lutas de classes, entretanto, não são inexoravelmente favoráveis aos interesses da classe dominante. Mesmo nas conjunturas políticas mais difíceis, há resistência e lutas contra-hegemônicas dinamizadas pelos movimentos da classe trabalhadora: rebeliões sociais, greves, ocupações urbanas, campanhas políticas, ocupações de terras, alianças eleitorais de resistência (ARCARY, 2022; BRAGA, 2017). A escola pública também está no centro das lutas da classe trabalhadora, delineando projetos emancipatórios tanto sobre a própria educação quanto para a sociedade: outra educação, outras pedagogias (OLIVEIRA, 2023, 2019 e 2017; ARROYO, 2021). E a Educação de Jovens e Adultos (EJA), direito e parte da história da educação brasileira, também está no centro da convergência de crises do capitalismo global/brasileiro atual: interpelada pelos projetos hegemônicos da classe dominante, assim como pelas resistências, lutas e projetos emancipatórios dos movimentos da classe trabalhadora – do “não lugar” nas políticas educacionais à reiteração do dualismo estrutural e das contrarreformas político-pedagógicas (GERBELLI e VENTURA, 2023; RUMMERT, ALGEBAILE e VENTURA, 2013), da geohistória de lutas da educação popular protagonizada pelos subalternos que construiu a EJA no Brasil (VENTURA, 2011) à centralidade das escolas e sujeitos da EJA para um projeto revolucionário de transformação do Brasil e do mundo, que requisita, necessariamente, a consciência de classe e engajamento dos trabalhadores jovens e adultos (ARANHA, 2021).

 

Metodologia

 

            Planejamos, para o presente projeto de pesquisa, o desenvolvimento de três recursos metodológicos combinados:

 

1.     Revisão bibliográfica, com objetivo de substanciar o campo teórico da pesquisa e a investigação sobre a convergência de crises do capitalismo brasileiro na contemporaneidade – crise ambiental/climática, crise socioreprodutiva, crise econômica e social, crise da democracia – e sua correlação com a crise e a disputa de projetos hegemônicos sobre a educação pública e a Educação de Jovens e Adultos;

2.     Pesquisa documental, pesquisa geohistórica e trabalho de campo sobre a Educação de Jovens e Adultos das redes estadual e municipal em Niterói/RJ (GIROTTO, 2018; GIRARDI, 2012), com objetivo de: (a) reconstruir a história e a espacialização da EJA na cidade, suas territorialidades e suas contradições e mediações históricas; (b) estudar as implicações sobre a EJA dos projetos hegemônicos do Governo de Niterói sobre o desenvolvimento econômico e urbano da cidade;

3.     Pesquisa-ação sobre militâncias / movimentos sociais que implicam a EJA em escolas das redes estadual e municipal de Niterói e no histórico e na atuação cotidiana do SEPE-Niterói sobre a educação pública e a EJA. Mobilizando recursos como: revisão bibliográfica, pesquisa documental, entrevistas, trabalho de campo, enquete operária e formação de comunidade ampliada de pesquisa (THIOLLENT 1986 e 1987).

 

Bibliografia

 

ANTUNES, Ricardo (org.) Uberização, trabalho digital e indústria 4.0. São Paulo: Boitempo, 2020 (1ª edição).

ARANHA, Otávio Luiz Pereira. Leon Trotsky e educação. 2021. 472f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador.

ARCARY, Valério. Labirinto reacionário. São Paulo: Usina Editorial, 2022 (1ª edição).

ARROYO, Miguel. Outros sujeitos, outras pedagogias. Petrópolis: Vozes, 2021.

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________________. O primado da política: revolução permanente e transição. In. Outubro, v.5, n.5, p.101-115. São Paulo: IES, 2000.

BRAGA, Ruy. A angústia do precariado: trabalho e solidariedade no capitalismo racial. São Paulo: Boitempo, 2023 (1ª edição).

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CATINI, Carolina. A reforma do Ensino Médio não será instagramável: incentivo financeiro, trabalho estudantil e financeirização. 2024. Disponível em: https://passapalavra.info/2024/03/152302/ (acesso em 24/06/24).

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quinta-feira, 21 de maio de 2020

ALERTA EDUCAÇÃO DE NITERÓI

ALERTA EDUCAÇÃO DE NITERÓI - "Reabertura gradual" precipitada puxada por Rodrigo Neves põe em risco a população e criará pressão por reabertura de Escolas e UMEI's! É momento de reabrir a Educação presencial? NÃO!

Olá colegas educadores/as e trabalhadores/as. Rodrigo Neves vem anunciando desde o final de semana de 16 de maio a "reabertura gradual e responsável" da economia de Niterói, a tal "transição para o novo normal". Os movimentos sociais da cidade, na União dos Fóruns de Luta de Niterói, incluindo o nosso sindicato, o SEPE-Niterói, vêm intensificando a luta contra esta "reabertura" que na verdade é precipitada! Nesta quarta-feira, 21 de maio, saiu o decreto de Rodrigo Neves sobre a "transição". O que está em jogo é muito sério e faço o alerta à Educação de Niterói: a "reabertura gradual" precipitada puxada por Rodrigo Neves põe em risco a população e criará pressão por reabertura de Escolas e UMEI's!

OS RISCOS E OS RESPONSÁVEIS. Não é hora de iniciar "reabertura gradual". O número de contaminações e mortes no Brasil segue crescendo, muito mais que o número de curados, e Niterói não é uma ilha. A "flexibilização" do distanciamento social (entendido como direito dos trabalhadores) neste momento é uma temeridade. Quanto mais as pessoas forem pressionadas a circular na cidade, mais aglomerações, mais circulação do vírus, mais contaminações, mais pressão no sistema de saúde, mais mortes. Não é momento de nenhuma "flexibilização" em Niterói, pelo contrário. E quem são os responsáveis por colocar o povo trabalhador da cidade em risco? Bolsonaro, desde sempre, com sua política de morte, de sabotagem do distanciamento social e de mobilização das hostes bolsonaristas, expressivas em Niterói. Os megaempresários, a grande burguesia brasileira e niteroiense, que vem se unificando numa política de desmonte do distanciamento social e que colocaram as cartas na mesa: se não reabrir, sabotaremos a economia da cidade. E por fim, Rodrigo Neves, que cede a todas estas pressões.

A EDUCAÇÃO DE NITERÓI EM RISCO. A "reabertura gradual", precipitada, ainda mais sob as pressões em curso, cria, inevitavelmente, uma pressão que atinge em cheio a nós, profissionais da educação e estudantes: a reabertura de Escolas e UMEI's. A volta do funcionamento "novo normal" da economia exige, cedo ou tarde, o funcionamento da educação pública. A burguesia já está fazendo, e fará de maneira mais intensa, essa pressão. Por mais que Rodrigo Neves tenha falado que "as aulas estão suspensas até junho, podendo se adiar esta suspensão", temos que ver as pressões que estão sendo ampliadas sobre nós. É uma temeridade a reabertura da educação: é uma das piores formas de aglomeração de pessoas. Temos que evidenciar a primeira premissa: sequer é o momento de reabrir qualquer coisa que não seja essencial. A outra premissa é: quando for o momento correto de reabertura, como a Educação deverá se adaptar ao contexto pós-quarentena que seguirá sendo um contexto de pandemia (idas e vindas, aberturas e fechamentos, segundas, terceiras ondas)? Num contexto político em que se empurra uma reabertura geral precipitada, não temos nenhuma base para confiar que se será responsável com a reabertura da Educação de Niterói. O contexto infraestrutural educacional de Niterói é o pior possível: as escolas municipais e UMEI's são, via de regra, espaços pequenos, apertados, superlotados, com sérios limites de infraestrutura espacial e de recursos para enfrentar a situação pós-quarentena, pior ainda se a reabertura for precipitada.

O QUE FAZER? Nós, profissionais da educação, não podemos "ficar olhando" as coisas acontecerem contra nós. Temos que, primeiro, estar alertas. Nos Engajar nas lutas de pressão, convocadas pelas redes sociais, pela União dos Fóruns de Niterói e pelo SEPE-Niterói. É uma tarefa de luta de tod@s nós. Se acontece a "reabertura gradual" precipitada, a Educação será a próxima vítima. Precisamos, por outro lado, nos organizar e discutir. Está na nossa mesa a possível greve em defesa da vida, contra uma reabertura precipitada da educação, assim como do conjunto da cidade. Como está sendo a educação no contexto de distanciamento social / quarentena? Como deverá ser a educação após-quarentena, no momento correto de pós-quarentena? Não podemos deixar nas mãos dos governos esta discussão e esta luta defensiva. Precisamos nos engajar na nossa organização coletiva: nas ações de luta e nos espaços de diálogo que o SEPE-Niterói vem chamando e chamará mais. Em diversos espaços de diálogo pelas redes sociais de internet.

DUAS TAREFAS IMEDIATAS: 1) Seguir participando dos chamados da União dos Fóruns de Luta e do SEPE-Niterói para ações na internet, em especial nas "lives" da Prefeitura e do Rodrigo Neves; 2) Nos preparar para participarmos da Audiência Pública online que ocorrerá segunda-feira, sobre a "reabertura gradual" de Niterói - Vamos lutar contra!

TRÊS LUTAS "ESTRUTURAIS": 1) Contra a reabertura precipitada em Niterói, assim como no estado do RJ e no Brasil; 2) Contra o PLP 39/2020, de Bolsonaro, que pretende congelar salários dos servidores públicos estaduais e municipais, assim como congelar investimentos nos serviços públicos. Rodrigo Neves e Wilson Witzel não podem aderir a esta chantagem, disfarçada de "ajuda"! 3) Pensarmos, como educadores/as, que educação temos e qual educação queremos ter atualmente e no futuro breve?

O "novo normal" é insustentável. "Novo normal" é capitalismo de desastre social e ecológico. É impossível uma "adaptação" neste "normal" capitalista, que sendo capitalista, não tem nada de "novo". Ou vamos a um futuro ecossocialista, urgente, ou estamos perdidos!

#CoronaVírusMata
#FiqueEmCasaNiterói
#VidaAcimaDoLucro
#SejaMudança

Vamos à luta!